Anna Claudia Ramos

Um ano no ar!

Comemoramos um ano em atividade…e nada melhor que trazer para essa página esse primeiro ano de trajetória com o texto publicado no site Jornalirismo:

Muitas vezes o simples ato de andar pelas ruas das cidades, e de se abrir a seus personagens, com uma única pergunta em mente (e no coração), “Qual é a sua história?”, pode nos conduzir a um grandioso universo da poesia cotidiana.

Cada pessoa que passa nos convida a imaginar, quem é?, o que faz?, mora onde?, filho de quem?, e a colocar a pergunta-chave para a condução deste texto: qual o seu sonho?

Hoje ouvimos que a palavra sonho está intimamente ligada a algo inacessível, a uma utopia. Sonhar deixou de ser impulso criativo para ser peso que beira a total desilusão.

Ou pior ainda: a vida começou a ser padronizada pelos anseios sociais sempre pautados em conquistas financeiras e poder, que roubam a naturalidade dos sonhos e sustentam as necessidades de um consumismo desenfreado, que, não por acaso, gera violência atrás de violência.

Em meio aos passos apressados do vai e vem humano nos grandes centros, não se aprecia mais a beleza do entorno, a face do idoso que se esforça para se manter ativo na multidão. Ou da criança que observa a rotina sem compreender o ritmo e mesmo assim entra no embalo e brinca como uma verdadeira roda-vida de cores e ilusões, mas ignorando a verdade sobre o que deve ser quando crescer para satisfazer suas necessidades básicas ou suas habilidades naturais e seus verdadeiros sonhos e desejos.

O sonho de quem vive na poesia cotidiana é demonstrar a essência da cor, a profundidade da palavra, o ritmo do amadurecimento natural de ser apenas um ser humano. Na visão do poeta, sonhar é abrir um caminho para a vontade se transformar em realização e o sorriso de cada manhã ser espontâneo pelo prazer de viver mais um dia em harmonia com o seu ser e a natureza ao seu redor.

Contra o ser que é ter

A televisão impõe que ser é ter e, aí, os sonhos se traduzem em bens materiais. O sonho de viajar pelo mundo é traduzido no carro do ano; tranquilidade e segurança, na casa própria; amor, em castração; amizade, em interesses; e a vida, em uma pilha de obrigações e deveres.

Porém, cada pessoa possui uma história, todo ser é composto de sentimentos e sentidos que formam um conjunto de valores que se reproduz de geração a geração. Em cada história existe uma lição de vida e um sonho embutido que lhe dá a direção para ser feliz (ou infeliz), dependendo de como se reage aos seus impulsos.

O menino Marcos Pontes, aos cinco anos, decidiu que seria astronauta. Menino do interior de Minas Gerais, ouviu de muitas pessoas que seu sonho era impossível, mas não deu atenção às influências ao redor e se tornou o primeiro brasileiro a cruzar a fronteira do espaço sideral. Ele é um exemplo conhecido, popular, que ganhou as mídias e se tornou referência para muitos outros garotos que buscam realizar seus sonhos.

Iguaizinhos ao primeiro astronauta brasileiro, existem muitos outros jovens, espalhados pelos quatro cantos desse imenso Brasil, que estão realizando seus sonhos, uns até mesmo simples, mas de grandiosidade ímpar. Como o contador de histórias que traduz em esculturas de madeira suas vivências, e fez da sua arte referência turística da cidade, falo de Ditinho Joana, de São Bento do Sapucaí, no interior paulista; ou a menina que cresceu vendo sua paisagem de infância se converter num depósito de lixo a céu aberto, a destruição da represa de Guarapiranga, na Grande São Paulo, e se tornou ambientalista e criou projetos de educação ambiental lutando pela preservação do seu sonho, falo de Cristina Kirsner, de São Paulo; ou simplesmente de uma mulher que teve um sem-número de sonhos, mas percebeu que seu maior bem era mesmo sua vida, quando quase a perdeu, falo de Maria Aparecida Andrade, também de São Paulo.

O poeta traduz a poesia do ser humano em arte, o jornalista relata seus passos e conta de forma lírica sua história: assim nasce esse olhar de captar impressões humanas e transformá-las em minisséries literárias, compartilhando esses passos, essas experiências, esses sonhos realizados que vão formando uma rede de humanismo e esperança.

Falo agora do projeto “Impressões Humanas”, que nasceu há um ano e reúne muitas histórias de heróis anônimos, que puderam compartilhar suas experiências com leitores de várias partes do mundo que se identificaram com suas ações e sentimentos.

O ser humano possui uma linguagem peculiar que estabelece a comunicação; é a linguagem dos sentidos e dos sentimentos, tratada poeticamente como linguagem da alma, ou, simplesmente, a linguagem que expressa a essência humana.

Eis o nosso papel: sair nas ruas sempre observando cada pessoa que passa e imaginando que ela tem uma história para contar e que pode ser o sinal de que você precisa para dar uma nova direção aos rumos da sua estrada e voltar a acreditar que todo sonho é possível.

*Márcia Nicolau é escritora e jornalista, e idealizadora do site “Impressões Humanas”

A Tradução

A tradução de Impressões Humanas pode ser definida em uma única palavra: sentimentalidades. Essa linguagem universal do ser humano, que os aproxima pelas afinidades e identificações. Cada ser humano que passa por nós deixa suas marcas, invisíveis, algo que não conseguimos definir em palavras, mas sim em nossos sentidos.
A proposta é simples – um canal de histórias reais de forma poética. Revelando personagens inspiradores e humanos que impressionam com seu alto poder de superação e suas criações, deixando suas impressões e criando novas culturas ao seu redor.
O projeto nasce de vivências na área da comunicação, observações e fatos que comprovam a força do espírito humano e seu poder de transformação. Outro fator que desencadeou a ideia de se montar esse canal é a preocupação com a evolução da tecnologia, a globalização e a perda das nossas vivências reais, da cultura dos povos e suas tradições. O objetivo é esclarecer que cada pessoa é única e tem muitas vivências a compartilhar. Essa troca de experiência é que movimenta e forja o desenvolvimento humano.
“Nossa principal missão é usar a internet para despertar no leitor o desejo de olhar ao redor e perceber que ao seu lado existe um ser humano e que ele possui uma história ao mesmo tempo em que visa trazer à consciência o valor de cada ação humanitária e como, mesmo que em passos lentos, começa ter um impacto positivo no mundo.”- comenta Márcia Nicolau, jornalista, escritora e idealizadora do projeto.

A primeira história será dividida em cinco capítulos, inaugurando uma nova linha editorial na internet: a minissérie literária. “Sabemos que na internet é tudo muito rápido e curto, um texto extenso dificilmente seria lido, então resolvemos dividir para que os leitores acompanhem a história, possam fazer um passeio imaginário e continuar a nos acompanhar.” – comenta Jomar F. Bellini, responsável pelo visual do site.
A escolha da poesia como madrinha na composição da linguagem visa abraçar o público de todas as idades. “Todo mundo gosta de história, desde a criança aos idosos e queríamos trabalhar uma linguagem simples que possa ser consumida com leveza por todos. Um doce literário, mas com conteúdo, informação.” – descreve Mariana Panazzolo, responsável pela linguagem e revisão dos textos.

O primeiro personagem é Ditinho Joana, escultor de São Bento do Sapucaí, SP, e suas estórias esculpidas na madeira.

“Não desejamos fazer simplesmente um perfil, mas sim contar uma história com todos os elementos que são necessários. Não dá para falar do que a gente não sente, não experimenta, por isso temos uma grande preocupação de sentar com o entrevistado, vivenciar com ele um pouco dessas experiências, conhecer seus hábitos e costumes para que realmente possamos reproduzir uma matéria viva, com emoção, com quem esteve realmente lá e viveu!  Sem esses elementos, cairemos nos mesmos moldes da rede de somente informar. Não!  Nosso desejo é fazer o leitor ler, imaginar e reproduzir com suas impressões. O que fazemos é dar elementos para essa viagem.” –  reforça Márcia Nicolau.

A expectativa é também ir formando cada capítulo da nossa história, com as impressões e comentários dos nossos leitores.

One Response to O Projeto

  1. Maria Eloiza Saez disse:

    Que bela iniciativa!

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