O caos das ruas da periferias das grandes cidades também pode ser considerado um dos grandes celeiros da cultura de rua. A necessidade de expressão e de se manifestar contra as pressões cotidianas explodiram em uma variedade enorme de intervenções culturais.  A princípio o movimento foi marginalizado e oprimido, pois os grafites eram considerados impróprios, vários grafiteiros tiveram que correr da policia e sambar miudinho para ver o seu trabalho reconhecido pela sociedade e ganhar o respeito merecido.Como toda moeda tem dois lados, a atitude nada nobre de alguns acabou por prejudicar a imagens de muitos jovens que levaram a sério o trabalho, mas essa foi mais um desafio de uma geração que ganhou na raça e no punho as honrarias devidamente merecidas e entre esses nomes está o de Donizeti Souza Lima, conhecido hoje mundialmente como BONGA (MAC).

Um jovem de origem humilde, criado e educado dentro do contexto geral da cidade de São Paulo, a grande metrópole onde o lixo mistura-se ao luxo, local onde a violência é proliferada a cada metro quadro no asfalto que se estende por quilômetros, formando uma grande rede de poderes e influências: a realidade urbanista das grandes metrópoles.

Para compreender um pouco mais desse cenário e o nascimento da cultura hip-hop, vamos dar um pulinho nos Estados Unidos.

O hip-hop emergiu no final da década de 1960 nos subúrbios negros e latinos de Nova Iorque. Estes subúrbios, verdadeiros guetos, enfrentavam diversos problemas de ordem social como pobreza, violência, racismo, tráfico de drogas, carência de infra-estrutura e de educação, entre outros. Os jovens encontravam na rua o único espaço de lazer, e geralmente entravam num sistema de gangues, as quais se confrontavam de maneira violenta na luta pelo domínio territorial. As gangues funcionavam como um sistema opressor dentro das próprias periferias – quem fazia parte de algumas das gangues, ou quem estava de fora, sempre conhecia os territórios e as regras impostas por elas,devendo segui-las rigidamente.

Esses bairros eram essencialmente habitados por imigrantes do Caribe, vindos principalmente da Jamaica. Por lá existiam festas de rua com equipamentos sonoros ou carros de som muito possantes chamados de Sound System (carros equipados com equipamentos de som, parecidos com trios elétricos). Os Sound System foram levados para o Bronx, um dos bairros de Nova Iorque de maioria negra, pelo DJ Kool Herc, que com doze anos migrou para os Estados Unidos com sua família. Foi Herc quem introduziu o Toast (modo de cantar com levadas bem fraseadas e rimas bem feitas, muitas vezes bem politizadas, cantadas em cima de reggae instrumental), que daria origem ao rap.

Neste contexto, nasciam diferentes manifestações artísticas de rua, formas próprias, dos jovens ligados àquele movimento, de se fazer música, dança, poesia e pintura.  As gangues foram encontrando naquelas novas formas de arte uma maneira de canalizar a violência em que viviam submersas, e passaram a frequentar as festas e dançar break, competir com passos de dança e não mais com armas.

E  por aqui a história seguiu o mesmo passo, ganhou muitos adeptos e virou sensação dos jovens. Parte deles aderiram ao movimento somente para se libertar das opressões, mas outra parte decidiu arregaçar as mangas e dar um toque especial ao movimento como forma de inclusão social, como forma de arma para a propagação dos ideais de paz, como forma de devolver aos jovens o valor do respeito pela arte, o respeito pela vida!

No mundo da rua;

Respeito é Lei!

Respeito é ação!

Que define o movimento

e a sua reverberação.

No mundo da rua;

Todo mundo tem direito!

Mas todo mundo tem o seu dever!

de cidadão;

trabalhador;

Que acorda cedo todo dia;

dá o seu suor;

seu sangue;

E tem direito a diversão.

No mundo da rua;

tem passinhos;

tem rimas;

tem letras fortes;

relatando a verdade;

falando das memórias

do futuro;

buscando a união.

É a favela;a rotina;

a droga da ilusão;

dinheiro fácil;

contratempo;

cadeia e discriminação.

Tem gente humilde!

Sonhadora!

Transformando a cena;

colorindo a vida;

assinando seu nome;

com orgulho!

Para toda uma geração!

É com vc BONGA e sua arte:

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