• Pelas Ruas da Cidade - Hoje é dia de Boi de Mamão

  • Pelas Ruas da cidade - Uma verdadeira Pérola Humana

  • Pelas Ruas da cidade, a vida continua!

Em declarações de Amor

Foto: Camila Boff

Foto: Camila Boff

A menina agora era mãe. Abriram-se novas responsabilidades, não somente no que diz a criação e sustento da criança, mas na construção do futuro que ela poderia dar àquele menino. Nas rodas de conversas e músicas do pai, ela sempre ouvia sobre as preocupações com as perdas das identidades culturais.

A cidade estava crescendo e mudando completamente o seu perfil.

“Em cada canto da ilha, em cada estação existia uma magia diferente o que desperta o interesse de quem chega e aqui quer ficar.” Essa é uma fala muito popular nos quatro cantos da ilha, dita pelos manezinhos. Eles conhecem os encantos da sua terra, em cada estação, em cada angulo particular que somente seus olhos captam e fazem questão de nos apresentar.

No entanto, o grande clamor dos seus manezinhos era o respeito a sua cultura e tradição. Zininho era o homem dos microfones, não somente para cantar suas belas canções, mas também para reproduzir seus pensamentos e inquietações. Tinha acesso a todas as leis e monções deliberadas na Câmara Municipal que tratavam da sua ilha, pois além de ouvir presencialmente, ele as gravava. Na maioria das vezes, sempre discordava das ações estabelecidas. Esses fatos não somente entristeciam o poeta, mas iam criando uma ferida invisível que mais tarde se transformara em uma doença que o levaria para um canto eterno da ilha para se eternizar. Zininho partiu. Tornou-se uma estrela a iluminar os caminhos das novas gerações.10544400_10204625577345699_8779907883528296560_n

Para seus filhos deixou uma herança preciosa: suas composições e sua trajetória.  E a jovem Cláudia era uma das responsáveis por manter viva a memória do pai. Ela nasceu para juntar a família. Nasceu em um momento em que era a única criança de uma família  de adultos, como ela mesma conta,  também coube a ela estar no mesmo lugar que o pai estivera, nos corredores da Câmara Municipal participando ativamente de todos os debates e embates políticos da cidade. [Continue Reading…]

Um canto da infância encantada

Foto: Camila Boff

Foto: Camila Boff

A história de Cláudia já se inicia como um momento de revitalização da família. Na época Zininho havia se mudado com a família para Curitiba, no estado vizinho, Paraná em busca de melhores condições de trabalho e estudo para os três primeiros filhos jovens.

A história de Zininho e Ivete, fazendo uma parênteses nessa história11391152_10207109514882585_2540290361376846771_n

sempre foi enredada com muita romantismo e um toque peculiar de aventura. Zininho literalmente fugiu com Ivete aos 17 anos e saíram do Continente destino Canasvieira, um bairro no norte da Ilha. Na volta, já estavam casados, e mesmo superando os altos e baixos permaneceram juntos até o dia da sua partida.

E foi quando Dona Ivete percebeu que o cotidiano já estava dominando a rotina do casal, e segundo Cláudia que conta em um tom de muitas gargalhadas, Zininho estava se interessando um pouco além da conta pelas noites de boemia.

E dentro desse cenário, a menina chegou para dar um novo ritmo ao casal eu já havia se esquecido das rotinas de uma bebe dentro da casa. Mas a boa sorte lhe foi dada e ela era a pequena de Zininho e sempre foi a caçula e o xodó da família. [Continue Reading…]

Um canto de memórias e histórias… em declarações de amor

DSC_7610

Fotos: Camila Boff

Cantos em cantos

Andar pela cidade durante o inverno nos fez refletir sobre a força e a dança dos ventos. Na ilha, os ventos direcionam as ações. Dentro do mar, os surfistas disputam as melhores ondas da temporada com os pescadores, que soltam suas redes ao mar para capturar os cardumes caudalosos de Tainhas. O dialeto “manezes” é mais audível, principalmente quando pescadores e surfistas insistem em negociar quando no Campeche, no Sul da Ilha, os ventos trazem a famosa onda direita. Não, a negociação é quebrada com a chegada em massa de surfistas vestidos com suas roupas de neopreme para se proteger das águas geladas do Sul e bailar nas águas em manobras radicais. E bradam alto: “Enfim, a casa é nossa!” Todos se unem para puxar a rede com toneladas e toneladas de Tainhas, que são contadas, repartidas e distribuídas para cada pessoa que se aproximou e ajudou a trazer para a terra os peixes e saudar a época da fartura e da prosperidade.

Nessa época do ano, a ilha é deles. O mar é deles, os peixes ainda garantem a renda de muitos pescadores que podem na primeira quinzena da temporada de pesca resgatar do mar o sustento dos próximos meses. Na segunda quinzena, chegam os grandes barcos pesqueiros e dominam a pesca dos grandes cardumes. A indústria que engole as tradições e mantém o sustento de outros pequenos pescadores.

As ruas ficam mais vazias, mas dá para se perceber melhor as belezas escondidas em cada canto da ilha. O frio gélido, as luvas, botas, cachecóis e casacos nos acompanham. O vento Sul quase nos faz levitar. Mas, o azul do céu, e mesmo  com nuvens cinzas se compõem com o verde do mar. [Continue Reading…]

Hoje é dia de Boi de Mamão!

Foto: Camila Boff

Foto: Camila Boff

Pequenas portinhas escondidas pelas ruas da cidade tem a capacidade de nos transportar para universos inimagináveis. Portas comuns que são verdadeiros portais mágicos, onde a música, a dança, o teatro se misturam em palmas e sorrisos que são liberados a cada movimento. É o encanto da arte em cena. É a música do cantador que vai percorrendo os ouvidos, que estremece o ouvido, se manifesta na pele e quando menos se espera o corpo começa a entrar no ritmo: é a dança!

Lua

Ilumina nossa rua

 Hoje a noite está em festa

É tempo de boi de mamão!

Senhor

Dá licença

Pra e dançar em seu quintal

A noite tudo é tão bonito

Melhor mesmo

É boi de Mamão!

Pueirô! Pueirô! Pueirô

(Márcio Guimarães) [Continue Reading…]