• Pelas Ruas da Cidade - Hoje é dia de Boi de Mamão

  • Pelas Ruas da cidade - Uma verdadeira Pérola Humana

  • Pelas Ruas da cidade, a vida continua!

Hoje é dia de Boi de Mamão!

Foto: Camila Boff

Foto: Camila Boff

Pequenas portinhas escondidas pelas ruas da cidade tem a capacidade de nos transportar para universos inimagináveis. Portas comuns que são verdadeiros portais mágicos, onde a música, a dança, o teatro se misturam em palmas e sorrisos que são liberados a cada movimento. É o encanto da arte em cena. É a música do cantador que vai percorrendo os ouvidos, que estremece o ouvido, se manifesta na pele e quando menos se espera o corpo começa a entrar no ritmo: é a dança!

Lua

Ilumina nossa rua

 Hoje a noite está em festa

É tempo de boi de mamão!

Senhor

Dá licença

Pra e dançar em seu quintal

A noite tudo é tão bonito

Melhor mesmo

É boi de Mamão!

Pueirô! Pueirô! Pueirô

(Márcio Guimarães) [Continue Reading…]

Uma verdadeira pérola Humana

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Essa história deve iniciar com uma pequena fábula:

Era uma vez uma ostra que morava dentro de uma concha, presa a um rochedo nas encostas do mar.
Um dia, formou-se uma grande tempestade, com muito vento, e o vento fez com que se formassem ondas muito grandes, que batiam no rochedo com violência, pondo em perigo a vida da pequena ostra.
E a ostra lutava muito para continuar firme no rochedo, porque as ostras ficam presas aos rochedos por pequenos fios criados pela própria natureza.
As ondas eram muito violentas, batiam com muito força, ocasionando o desprendimento de um pedaço da rocha que atingiu a concha, causando pequeno ferimento na ostra.
A ostra chorou de dor, vertendo uma pequena lágrima, que ficou “guardada” dentro da concha.
Apesar da dor, a ostra não desanimou, não perdeu a fé, continuou a segurar-se na rocha, até que o temporal passou e o mar se acalmou.
E o tempo foi passando. E aquela lágrima de dor, que ficou guardada na sua concha, foi se transformando, até virar uma linda pérola, perfeita e brilhante.

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É muito comum ouvirmos lendas que envolvem as ostras e pérolas. O fascínio pelo encontro da pérola valiosa dentro das cochas que encontramos no mar. Paro outros, elas podem apenas representar sorte, mas para Rita de Cássia Rodrigues elas representam vida.

E a sua primeira fala é simples: “Aqui elas são felizes! Elas não produzem pérolas, elas produzem sabores, sustento de vida para muitos moradores, esperança, são responsáveis pelo zelo e preservação dos mares, pois somos responsáveis pela produção de 70% das ostras produzidas no país. Mas antes de tudo isso, para mim, elas representam uma filosofia de vida. E uma vida muito mais feliz!”

Já sua história de vida pode ser comparada ao cultivo de uma ostra. Aconteceu de forma despretensiosa. Rita é nascida na Ilha, passou parte da sua infância e juventude na cidade, casou-se com um militar e foi morar em Recife onde teve seu primeiro filho.

Sua ansiedade de novos conhecimentos o levaram a universidade onde cursou Farmácia e trabalhou por anos dentro do setor, no ramo de alimentação. Rita foi adquirindo novos conhecimentos, aliando com sua experiência de vida e sabedoria e foi conhecendo novos cultivos de frutos do mar e principalmente observando as novas pesquisas que estavam sendo aplicadas nas comunidades. Entre eles estava um curso sobre o cultivo de ostras.13147974_1021409577954910_461472734_o

Ao retornar para Florianópolis, iniciou uma experiência de cultivar ostras em uma pequena propriedade familiar nas margens da praia do Ribeirão da Ilha. Ela começou por brincadeira, como ela mesma diz, em 2000, e continuou exercendo a profissão de farmacêutica. Rita comprou 30 mil sementinhas e iniciou o manejo de suas “meninas” como ela carinhosamente chama as suas ostras.

O processo do cultivo tornou-se uma terapia para ela. Carinhosamente ela, semeava suas ostras, aguardava dez dias para recolhê-las, peneirá-las, separar as maiores das menores e devolvê-las novamente ao mar. Mai dez dias e o processo era todo refeito até chegar ao tempo de maturação, geralmente por volta de sete meses no mar de Ribeirão da Ilha em Santa Catarina, para estarem prontas para o consumo.

“Eu sempre fiz todo o cultivo sozinha. Eu trabalhei três anos sem um homem para me ajudar no manejo, a remar, levantar as lanternas do cultivo. A única ajuda que eu tinha era dos funcionários do meu irmão que me ajudavam a subir as lanternas na rampa que tinha no rancho. Era um trabalho muito pesado. Na época eu tinha uma canoa de madeira e ia remando até a estrutura para cultivo. Dessa forma eu fui me envolvendo completamente com o trabalho e quando eu vi tinha 300 mil sementes na fazenda e não tinha mais condições de manter tudo aquilo sozinha.”

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Pérolas ao mar

Movimento de transformação

Sementes crescem

 Vão se multiplicando

Formando ramificações

Vazão do sentimento humano

Necessidade

Desejo

Cuidar com amor

Pérolas não são apenas

Objetos de valor

Pérolas são afagos na alma

Pérolas são sentimentos

Semeados em flor

Que floresce!

Em pleno requinte

Sabor!

Ostras

Por três anos seguidos, sua rotina diária era sair do Bairro do Aeroporto e ir para o Ribeirão da Ilha cuidar da sua pequena produção. Rita começou a perceber que algo também estava se transformando dentro do seu interior.

Areias adentraram o seu interior, e várias dificuldades também começaram a ganhar um grande espaço nessa nova rotina. O crescimento do seu cultivo foi algo inevitável pelo zelo que ela sempre cuidou das suas “meninas”. Após o  terceiro ano, após cuidar sozinha da suas ostras, ela percebeu que precisava de mais espaço e mais pessoas. Elas se multiplicaram e agora era necessário comercializá-las, mas de forma consciente e justa!13128582_1021391571290044_1312556275_o

Em 2004, Rita foi selecionada para ir para a França onde permaneceu por um mês estudando o cultivo e manejo de ostras para comercialização internacional. As ostras invadiram a vida de Rita de uma forma tão intensa que pouco tempo depois ela encabeçava a Associação de Mulheres Ambientalistas e Aquicultoras de Florianópolis. Rita trazia na bagagem conhecimento específico e uma experiência muito bem sucedida no cultivo, mas eram elementos menores diante do amor e da paixão de ver florescer suas “meninas”.

E como uma mãe zelosa que cuida dos seus filhos foi transferindo seus conhecimentos as demais integrantes da associação, trocando experiências com outros produtores, apresentando seus projetos para alunos das escolas para que houvesse uma comunhão desses conhecimentos e uma fortalecimento da união entre os produtores e principalmente capacitando os trabalhadores.

Rita sabia que se o movimento fosse bem organizado e os trabalhadores unidos, a credibilidade e qualidade das ostras de Ribeirão da Ilha estariam assegurados no mercado nacional e internacional.

Mas junto com as mulheres da associação, Rita iniciou o cultivo de videiras, uma espécie de ostra muito mais delicada, conhecidas popularmente como o símbolo da rede de postos de combustível Shell. Um novo desafio que exigia dela mais dedicação no manejo, e certa renovação em seus conhecimentos ao ver sua produção florir como as demais. Mas com um sabor diferenciado!

Muitas areias adentraram o seu interior, que como uma ostra, viu-se ameaçada e teve que ir criando suas barreiras para se abrigar dos incômodos. Na vida real, um retrato não muito colorido da situação. A rivalidade enfraqueceu a união. Produtores mais fortes passaram  dominar os mais fracos. As sementes tiveram seus valores elevados. A inversão térmica e as águas mais quentes no verão alteraram as temperaturas consideradas ideais para o cultivo e surgiram novos predadores.

Problemas que inevitavelmente iriam surgir diante da responsabilidade de manter a produção de 70% das ostras que abastecem o País. E neste nível da história, produtores rurais são engolidos pelas grandes empresas. E acaba se tornando inviável financeiramente comercializar.

Mas para Rita, as ostras não eram objeto de valores financeiro, era uma filosofia de vida. Com o tempo ela foi aprendendo com o cultivo as transformações que ocorriam diante da sua própria vida. As multiplicação das sementes, a separação das maiores e das menores, a proporção do espaço para seu desenvolvimento, a necessidade de ser raspada, talhadas para se livrarem dos parasitas que abrigam a sua casca, para retornar ao mar e estar pronta para ser colhida.

As dificuldades encontradas diante de seus olhos ao ver a falta de preparo dos trabalhadores, a guerra por valores, o desinteresse dos próprios nativos em investir em melhorias que poderiam lhes trazer melhores condições de vida e, principalmente, o pavor de imaginar que o local possa ser invadido pelo estouro do mercado imobiliário e poluir as águas do Ribeirão.13128677_1021391157956752_1684136_o

Isso afetaria em cheio as fazendas de ostras, para manter a sua produção há uma perícia constante para averiguar as condições das águas e manter a qualidade da produção e a certificação de qualidade do produto.

Assim, como no processo que antecede a maturação, Rita se despiu de todos os parasitas, fez uma limpeza geral no seu casco e retornou ao mar.

Ao retornar a superfície, ela trouxe em suas lanternas uma nova descoberta e talvez a que ela realmente pudesse agregar o valor que suas meninas mereciam.

Assim surgiu o Empório do Mar, especializado em ostras, feita das formas mais variadas que ressaltam o sua verdadeira pérola: seu sabor exótico.  A forma correta do seu preparo torna o momento da degustação um delírio único no paladar.

Outras lendas contam que as ostras são afrodisíacas, e realmente devem ser, pois observar as pessoas degustando ostras é algo que merece ser notado, pois a face descreve de imediato a sensação de prazer em uns. A estranheza ao primeiro contato, certo nojo em outros e muitos sorrisos de quem está do lado para observar esse momento.

A maioria dos pratos do Empório é Rita quem os prepara. Ela usa seus conhecimentos da experiência na industria alimentícia, seus toques especiais de uma “manezinha”nata e um amor que transborda do seu ser.

Se pedirmos uma licença poética para a criação das pérolas e a vida de Rita a história seria mais ou menos assim:

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O mar a chamou para abrigar as melhores espécies de frutos.

Ela não resistiu aos encantos do mar e se entregou

Pouco tempo depois

Seu corpo se encheu de flores de conchas coloridas

E as sementes de cores eram tantas

Que ela decidiu se espalhar

Se enredar e se misturar

Por todos os cantos

Parasitas vorazes

Destruíram seus encantos

Desfizeram seus laços

Fizeram chorar em prantos

Mas a dor revelou seu verdadeiro sabor

O seu amor

Para lapidar a pedra de real valor:

Pérolas cravadas em seu coração

Que tornam suas ostras

Felizes!

Hoje pessoas vindas de vários lugares do mundo apreciam os sabores das ostras da Fazenda Marinha Sul Floripa no Empório do Mar e são recebidas por Rita com um sorriso brilhante estampado no rosto.

Uma verdadeira pérola humana!

Texto: Márcia Nicolau

Fotos: Camila Boff

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Fotos: Camila Boff

Fotos: Camila Boff

Aterrizar em uma nova cidade é provar da essência do novo. Mesmo que seja algo racionalmente conhecido, como o espaço físico, a língua falada, é o desconhecido que traz a essência da sua realidade. É a ginga do seu povo que carrega na face sua história, suas memórias e afeições.

É no movimento rápido típico de uma capital que trafego o seu povo. Trabalhadores urbanos que enfrentam um vai e vem contínuo de carros, motos e ônibus. Panorama que contrasta rapidamente somente com desviar do foco e olhar para o horizonte e ver a imensidão do mar que abraça a acidade e o navegar lento dos barcos que vão colorindo a sua orla.

Assim é a primeira visão de quem chega a Ilha de Florianópolis por terra. Chegar pelo ar tem outro charme, como o olhar de uma águia que vê uma ponta de ilha pronta para o pouso em terra no meio do mar. Sim, uma ilha no meio do oceano cercada pelo continente.

Diante dessas duas visões para o mesmo desembarcar, penso em como foi a chegada dos seus desbravadores pelo mar e a beleza que encontraram quando aqui chegaram.

São muitas histórias cravadas em cada um dos seus bairros, em bilhetes de amor em seus botecos, no andar rápidos dos construtores e administradores dessa capital e na cultura ímpar dos manezinhos, como são chamados seus moradores. [Continue Reading…]

Foto: Márcia Nicolau

Viver é…viver momentos

É poder contemplar o céu cheio de estrelas…

Ver as coisas mais belas da vida…

Os pequenos momentos…

A ternura e a beleza de uma flor…

Escalar montanhas…Tomar banhos em rios…

É poder amar alguém

Ter amigos…

É sentar-se a mesa de um barzinho…

Ao lado de companheiros…

Sorrir…Andar descalço nas ruas do bairro…

Plantar um jardim…Sonhar…

Sonhar sonhos reais

 Pisar descalço no chão…

Abrir os braços e sentir-se livre…

Como os ventos que correm sem rumo…

É ocupar um lugar importante

Nos corações das pessoas mais pobres e oprimidas…

É fazer das coisas mais simples

 Os detalhes mais importantes da sua vida

Em fim…pra mim…

Viver…é ser criança

É não ser tão sério no dia a dia…

É entender uma lágrima

 Que cai dos olhos de alguém…

Poder amar livremente…

Sem barreiras e sem preconceitos…

É contemplar o nascer e o pôr do sol…

É tomar sorvete…

Andar de bicicleta…

Ouvir os cantar dos pássaros…

Na sinfonia da vida…

Viver… é ter nos olhos…

A pureza de uma flor…

E no coração, o amor de uma mulher…

É galgar o topo de uma colina…

Com os pés no chão…

Viver…é abraçar

Abraçar a vida…

Arquivo Pessoal

 A quem nós amamos…

 O cão de guarda…

 O menino da rua…

 O bêbado na esquina…

O operário, o camponês…

As meninas… as velhinhas…

É estar com a face voltada para o alto…

E os olhos cheios de luz…

Ter um coração Sublime e feliz…

Pois só é feliz…quem sabe amar

E amar…é viver!

( Lúcio Valério Barbosa)

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Foto: Luiz Gonzaga

Foto: Luiz Gonzaga

Após o almoço no sábado, o cansaço começou a tomar conta de todos. As redes do galpão eram um convite para um cochilo após um belo almoço feito no fogão à lenha. O galpão foi contagiado cheirinho de um doce de arroz doce, que com suas especiarias como cravo e canela perfumavam o local.

O doce cheiro do doce. A doce experiência vivida, momentos que não esqueceremos jamais. Aos poucos vamos entendendo por que ele é conhecido como professor, pois ele não é didático, ele deixa a pessoa livre para as suas descobertas, e percebendo o grau do interesse, ele vai soltando as informações.

Lúcio é uma daquelas pessoas que olha dentro dos olhos e enxerga a alma do outro. E talvez dizer que parece que ele consegue interpretar os nossos pensamentos. Algo que nos remete novamente aos mistérios humanos e o que chamamos de além do natural, ou incompreensível.

Fotos: Márcia Nicolau

Fotos: Márcia Nicolau

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